O segredo para ‘não ficar com raiva ou ofendido’: segundo a Psicologia e o Estoicismo, é preciso aprender a não ter sempre uma opinião
Publicado em 9 de outubro de 2026 às 18:13
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Cansado de se estressar com debates nas redes sociais e notícias polarizadas? No cotidiano moderno, parece obrigatório ter uma opinião imediata sobre absolutamente tudo.
O segredo para ‘não ficar com raiva ou ofendido’, segundo uma psicóloga, é aprender a não ter sempre uma opinião Gloria Pires virou meme por afirmar 'não saber opinar': no entanto, decisão pode ser o segredo para vida satisfatória, segundo estoicismo Falar muito e ter opinião sobre tudo pode ser prejudicial, na visão estoica Em discussões, opiniões divergentes podem acabar causando raiva e mal-entendidos Opinião pode gerar brigas; para o filósofo Epiteto, 'não são as coisas que nos perturbam, mas sim as nossas opiniões sobre elas'

Muitas vezes, especialmente, em períodos eleitorais, nos vemos incomodados ou estressados por determinadas notícias. E qual é a melhor forma de evitar raiva e ofensas constantes?

Segundo Laia Milanesi, psicóloga clínica licenciada e especialista em saúde mental, trata-se de aprender a não ter sempre uma opinião. Não dá para negar que essa afirmação é bastante intrigante, especialmente, quando consideramos nossa aparente compulsão de ter uma opinião sobre absolutamente tudo.

Essa mania deve-se muito ao fato de nunca ter sido tão fácil emitir um julgamento como agora. “280 caracteres são suficientes para comentar o assunto do momento. Mensagens curtas que incentivam opiniões imediatas sem a necessidade de qualquer conhecimento prévio sobre o tema”, afirmou a psicóloga Marta Mozas Alonso em entrevista à revista Ethic sobre o uso das redes sociais, especialmente o X (antigo Twitter). 

Filosofia estoicista dialoga com a mesma ideia

A proposta de Milanesi pode soar impossível para muitos, mas o Estoicismo e o Budismo concordam com essa premissa. Ambos afirmam que grande parte do nosso desconforto não provém do que acontece, mas sim de como o interpretamos.

Essa interpretação surge muitas vezes das nossas opiniões, que parecem emergir automaticamente. O filósofo Epiteto disse em seu manual "Enquirídio" que "não são as coisas que nos perturbam, mas sim as nossas opiniões sobre elas". Quando aprendemos a não julgar imediatamente, mantemos a mente calma.

Como disse Marco Aurélio em seu livro "Meditações": "Você sempre tem a opção de não ter opinião. Nunca há necessidade de se perturbar ou incomodar sua alma com coisas que você não pode controlar. Essas coisas não pedem que você as julgue. Deixe-as em paz." 

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Budismo enxerga falta de opinião sobre tudo como libertação da compulsão pelo julgamento

O budismo ensina algo semelhante através do conceito de desapego: quando você não se apega a uma opinião ou identidade fixa, as palavras e ações dos outros perdem o poder de perturbá-lo. De acordo com o "Dhammapada", escrito budista tradicional que teria sido composto pelo próprio Buda, aquele que não se deixa influenciar por opiniões e vê as coisas como elas realmente são encontrou a paz. 

Em ambas as filosofias, não ter sempre uma opinião não significa tornar-se indiferente, mas sim libertar-se da compulsão de julgar, o que representa uma forma de paz interior. “As coisas não exigem julgamentos, e esse é o segredo". 

Quanto menos julgamentos fizermos, mais deixaremos as coisas serem como são”, afirmou Milanesi. Ela acrescenta que é necessário parar de levar tudo para o lado pessoal para alcançar serenidade e clareza. 

“No fim das contas, não se trata de concordar com tudo, mas de escolher no que vale a pena investir nossa energia”, explicou. Da próxima vez que você se sentir tentado a dar sua opinião sobre algo, pense duas vezes antes de fazer um julgamento não solicitado.

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Por Matheus Queiroz | Notícias dos famosos, TV e reality show
Jornalista por vocação, apaixonado por música, colecionador de CDs e neto perdido de Rita Lee.
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